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Fase 1 da OBF 2026

Escrito por Pedro das Chagas e Gabriel Gomide

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Questão 1

O espectro eletromagnético, ilustrado na figura abaixo, é uma forma de classificar as ondas eletromagnéticas de acordo com suas frequências ou comprimentos de onda.

Considere as sentenças:


I. No vácuo, uma onda ultravioleta se propaga com velocidade maior que uma onda infravermelha.

II. Um rádio de ondas curtas e o olho humano são detectores de ondas eletromagnéticas. O rádio detecta ondas com comprimento de onda da ordem de 50m, enquanto o olho humano detecta ondas da ordem de 500nm.

III. Todos os corpos com temperatura diferente de zero kelvin irradiam ondas eletromagnéticas em uma faixa que depende de sua temperatura.


São verdadeiras as sentenças:


(a) I (b) II (c) I e II (d) II e III (e) Todas são verdadeiras

Ondulatória e Física Quântica

I) Falsa. Todas as ondas eletromagnéticas se propagam com a mesma velocidade no vácuo, a saber, a velocidade da luz. (c=3×108c = 3 \times 10^8 m/s) Note que mesmo se a questão não trouxesse a especificação "no vácuo" a afirmativa ainda estaria incorreta, já que em outros meios materiais a velocidade das ondas de maior frequência (como Ultravioleta) são menores que as das ondas de menor frequência (como Infravermelho).


II) Verdadeira. O rádio pode perceber ondas eletromagnéticas em uma faixa muito ampla, com comprimentos de onda que variam da ordem de 10310^{-3}mm até 10510^{5}mm. Por outro lado, o olho humano detecta a luz visível, cujo comprimento de onda localiza-se, aproximadamente, entre 400400 nmnm a 700700 nmnm. Portanto, um rádio pode detectar ondas com comprimento de onda da ordem de 50m50m, enquanto o olho é sensível a ondas da ordem de 500nm500nm.50m50m


III) Verdadeira. A Lei de Stefan-Boltzmann (P=σϵAT4P = \sigma\epsilon A T^4) relaciona a potência com que um corpo emite energia com a temperatura do corpo, mostrando que, de fato, qualquer corpo com temperatura absoluta maior que 0K0 K irradia ondas eletromagnéticas. Além disso, bastava saber que os animais emitem radiação infravermelha (detectada por câmeras noturnas, por exemplo) enquanto o sol emite, principalmente, Infravermelho, Luz Visível e Ultravioleta.


Logo, estão verdadeiras as afirmativas II e III.

D) II e III

Questão 2

Considere um satélite de comunicação em órbita em torno da Terra. Sobre o movimento orbital do satélite, é correto afirmar que:


(a) só é possível graças ao sistema de propulsão do satélite

(b) só é possível devido à ausência de gravidade

(c) possui período constante

(d) tem aceleração desprezível

(e) possui velocidade escalar (rapidez) constante em qualquer tipo de órbita

Gravitação Universal / Leis de Kepler

(a) Uma vez na órbita do planeta, o movimento orbital do foguete é mantido pela atração da força gravitacional da Terra que atua como força centrípeta. Propulsores são usados apenas para correções de trajetória ou mudanças de órbita, não para sustentar o movimento. Incorreta.

(b) Pelo contrário, é a presença da gravidade que possibilita o movimento orbital do foguete. A força gravitacional é o que mantém a trajetória curvilínea. Incorreta.

(c) Para uma órbita estável, o período orbital é constante. Basta observar a 3ª Lei de Kepler: o período de um planeta depende apenas do semieixo maior de sua órbita. Se a sua órbita não se altera, o seu período permanece o mesmo, ou seja, o satélite de comunicação completa cada volta sempre no mesmo intervalo de tempo. Correta.

(d) A aceleração centrípeta, direcionada para o centro da Terra, que o satélite possui é fundamental para ele se manter em órbita. Ela é dada pela expressão:

a=v2r=GMr2a=\frac{v²}{r}=\frac{GM}{r²}

Logo, ela o satélite não possui aceleração desprezível. Incorreta.

(e) Essa afirmativa é válida apenas para órbitas circulares. No caso de órbitas elípticas, a velocidade varia conforme a posição: o satélite é mais rápido no periélio (ponto mais próximo) e mais lento no afélio (ponto mais distante). Isso está de acordo com a 2ª Lei de Kepler (Lei das Áreas). Incorreta.

(C) possui período constante


Questão 3

Dois estudantes chegaram em casa e precisavam aquecer uma sopa que estava na geladeira à temperatura de 6°C6°C. O estudante AA colocou no forno de micro-ondas uma porção de sopa com metade da massa de porção do estudante BB, ou seja, mA=mB/2m\small \tiny A\normalsize =m\tiny B\normalsize /2, aquecendo-a na potência máxima durante 3 minutos.

O estudante B repetiu o procedimeento usando a mesma potência e o mesmo tempo de aquecimento. Ao final, um termômetro indicou que a sopa de A estava a TA=60°CT\tiny A\normalsize =60°C, enquanto a sopa de B estava a TB=33°CT\tiny B\normalsize =33°C.

Complete corretamente a frase abaixo.

"A porção de massa mAm\tiny A absorveu ________ quantidade de energia que a porção de massa mBm\tiny B, mas a energia cinética média de agitação térmica das partículas da sopa AA é ________ que a das partículas da sopa BB."


(a) maior, menor

(b) maior, a mesma

(c) maior, maior

(d) a mesma, maior

(e) a mesma, a mesma

Calorimetria e Termologia

Sabemos que ambos os estudantes esquentaram suas sopas com a mesma potência EE do micro-ondas durante o mesmo intervalo de tempo Δt\Delta t. Assim, de acordo com a equação da potência:

E=PΔtE = P\cdot \Delta t

Podemos afirmar que ambas as porções absorveram a mesma quantidade de energia. Agora, lembre que a energia cinética de agitação térmica é diretamente proporcional à sua temperatura absoluta. Por isso, como:

TA=60°CTB=33°CTA>TBT\tiny A \normalsize = 60°C \newline T\tiny B \normalsize = 33°C \newline T\tiny A \normalsize > T\tiny B 

As partículas da sopa AA possuem maior energia cinética média de agitação térmica.


Observação interessante: O fato de mAm\tiny A ser o dobro de mBm\tiny B explica o motivo da sopa AA aumentar mais a sua temperatura. Perceba que:

Q=mcΔTQ=mc\Delta T

Para uma mesma quantidade de calor QQ absorvido, o corpo que tiver menor massa irá variar mais a sua temperatura. De fato:

ΔTA=60°C6°C=54°CΔTB=33°C6°C=27°C\Delta T \tiny A \normalsize = 60°C - 6°C = 54°C \newline \Delta T \tiny B \normalsize = 33°C - 6° C = 27°C

A variação de temperatura da sopa AA foi o dobro da variação de temperatura da sopa BB, coerente com o fato de que mA=mB/2m\tiny A \normalsize = m\tiny B \normalsize /2.


(D) a mesma, maior

Questão 4

Um caixote apoiado sobre um plano inclinado é mantido em repouso graças a uma corda presa à parede, conforme representado na figura ao lado. Sejam PP, NN e TT, respectivamente, as intensidades das forças aplicadas ao caixote pelo campo gravitacional, pelo plano inclinado e pela corda.

Assinale a alternativa correta.

(a) P=NP=N

(b) P=TP=T

(c) P=N+TP=N+T

(d) P=NTP=N-T

(e) P2=N2+T2P²=N²+T²

Mecânica

Fazendo a decomposição de vetores sobre o caixote, nota-se que, para um plano inclinado de ângulo θ\theta em relação a horizontal:

Pcosθ=NPcos\theta=N

Psenθ=TPsen\theta=T

Assim, elevando-se ambas as equações ao quadrado e somando-as:


P2(cos2θ+sen2θ)=N2+T2P²(cos²\theta +sen²\theta)=N²+T²

Como cos2θ+sen2θ=1cos²\theta+sen²\theta=1, então P2=N2+T2P²=N²+T², resultando na alternativa E.

(E) P2=N2+T2P²=N²+T²

Questão 5

Há sempre um custo energético para manter um automóvel trafegando em uma estrada. Parte desse custo está associada à energia cinética do veículo, que depende de sua massa e de sua velocidade.


Se um motorista decide aumentar sua velocidade de cruzeiro de 80 km/h para 100 km/h, podemos dizer que a variação percentual aproximada de energia cinética do automóvel é


(a) 20% (b) 25% (c) 44% (d) 56% (e) 64%

Trabalho e Energia Mecânica

Denominemos E0E\tiny 0 a energia cinética inicial do veículo e EfE\tiny f sua energia cinética final.


Pelo enunciado, sabemos que houve um fator de aumento pp sobre sua velocidade tal que E0=Ef×(1+p)E\tiny 0 \normalsize = E\tiny f \normalsize \times (1+p)


Como sabemos que a energia cinética é dada por Ek=12mv2E\tiny k \normalsize =\frac{1}{2} mv², então, substituindo

12mv02=12mvf2×(1+p)\frac{1}{2}mv_{0}²=\frac{1}{2}mv_{f}² \times (1+p)

Dividindo-se ambos os lados por 12m\frac{1}{2}m:


v02=vf2×(1+p)v_{0}²=v_{f}² \times (1+p)


Como tanto v0v_{0} quanto vfv_{f} são dados em km/h e aparecem em ambos os lados de uma igualdade, não é necessário converter para o SI.


(100)2=(80)2×(1+p)(1+p)=(10080)2=(54)2=25161,56(100)²=(80)² \times (1+p) \newline (1+p)=(\frac{100}{80})²=(\frac{5}{4})²=\frac{25}{16} \cong 1,56


Logo p=56p=56%.

(D) 56%


Questão 6

O gelo seco é dióxido de carbono no estado sólido. Em pressão ambiente, ele sofre sublimação, passando diretamente do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo estado líquido. Considere o diagrama de fases do dióxido de carbono, simplificado e fora de escala, mostrado abaixo.

Entre as condições de temperatura TT e pressão PP abaixo, assinale aquela em que o gelo seco pode ser armazenado.


(a) T<78,5°CT<-78,5°C e P=1,0P=1,0 atm.

(b) T=56,6°CT=-56,6°C e P>1,0P>1,0 atm.

(c) T=25,0°CT=25,0°C e P=66P=66 atm.

(d) T=56,6°CT=-56,6°C e P<5,1P<5,1 atm

(e) T=31,1°CT=31,1°C  e P=73P=73 atm.

Diagrama de fases

Como o gelo seco passa por sublimação facilmente, as condições que permitem o seu armazenamento devem, obrigatoriamente, mantê-lo sob o estado sólido.


Analisando todas as alternativas e tendo em vista o conhecimento sobre o diagrama de fases, percebe-se que a única das regiões representadas que está totalmente contida da região sólida do diagrama é a da letra A, que fica representada pela reta vermelha do gráfico abaixo:

(A) T<78,5°CT <-78,5°C e P=1,0P=1,0 atm.

Questão 7

Um estudante observa uma exibição de patinação na qual é encenada uma peça que representa a origem do universo. Em uma cena, que representa uma explosão estelar, NN patinadores, inicialmente aglutinados e em repouso em relação ao piso, iniciam seus movimentos impulsionando-se mutuamente.


Desprezando os atritos, assinale a alternativa correta


(a) A energia cinética total permanece nula.

(b) Se todos os patinadores tiverem a mesma massa, todos eles se lançam com igual rapidez.

(c) Independentemente das massas dos patinadores, a soma das velocidades vetoriais dos patinadores imediatamente após a explosão é nula.

(d) Se N=2N=2 , os patinadores se lançam com velocidades de sentidos opostos, mas necessariamente de mesma intensidade.

(e) É preciso ter N3N \ge 3 para que seja possível que pelo menos um patinador permaneça em repouso.

Quantidade de Movimento

a) Falso. A energia cinética é sempre maior ou igual a zero. Como no caso retratado os patinadores adquirem velocidade não nula, sua energia cinética total também será não nula, independentemente do sentido dos vetores de velocidade.

b) Falso. Para uma situação com 3 ou mais patinadores, é possível ter uma configuração em que os patinadores terminam com velocidades diferentes desde que os seus vetores de velocidade resultem em uma soma nula.

c) Falso. Em colisões e explosões vale o Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento. Assim, o que deve ter soma nula após a "explosão" de patinadores é a quantidade de movimento, não necessariamente as velocidades.

d) Falso. Eles se lançam com velocidades de sentidos opostos, mas estas não serão iguais a menos que as massas dos patinadores sejam iguais.

e) Verdadeira. Caso só exista um patinador, ele não consegue alterar a sua quantidade de movimento. Caso existam dois patinadores, estes serão lançados com velocidades opostas e não nulas, sempre. A partir de N = 3 patinadores, existe a possibilidade de que um dos patinadores permaneça em repouso.

(E)

Questão 8

A figura ao lado representa um barômetro de Torricelli. Um tubo cilíndrico de vidro, fechado na extremidade superior, de comprimento L=100cmL = 100cm, é inicialmente preenchido com mercúrio e, em seguida, invertido e mergulhado em uma cuba que também contém mercúrio. Quando a pressão externa é de 1 atm e a temperatura é de 25°C25°C, a altura da coluna de mercúrio é de h=76cmh=76cm.

Considere as sentenças:


I. A coluna de mercúrio é sustentada pela atração da região de vácuo formada na parte superior do tubo.

II. Se o barômetro for construído com um tubo de 50cm de comprimento, nas mesmas condições, o mercúrio preencherá todo o tubo.

III. Se o barômetro for construído com um tubo com o dobro da área de seção transversal, nas mesmas condições, a coluna de mercúrio terá 38cm de altura.


São verdadeiras somente as sentenças:


(a) I (b) II (c) III (d) I e II (e) II e III

Hidrostática

I. A coluna fica sustentada pela pressão atmosférica exercida sobre a superfície do mercúrio na cuba. O vácuo não exerce força nem "atrai" a coluna de mercúrio. Incorreta.

II. De acordo com o experimento, a pressão atmosférica de 1 atm consegue sustentar uma coluna de 76 cm de mercúrio. Por isso, se o tubo possuir apenas 50 cm de altura, a coluna de mercúrio irá ocupar todo o tubo, não sobrando espaço para formar o vácuo de Torricelli. Correta.

III. A altura da coluna de mercúrio, à pressão de 1 atm, pode ser obtida pela seguinte expressão:

Patm=ρghP\tiny atm \normalsize =\rho g h

Perceba que a àrea de seção transversal não aparece na expressão. Assim, a altura permaneceria inalterada mesmo ao dobrar a àrea do tubo. Incorreta.


Logo, está correta apenas a afirmativa II.

(B) II

Questão 9

Um estudante chuta uma bola que estava inicialmente em repouso em um campo de futebol, lançando-a em uma direção que forma um ângulo de cerca de 40° com a horizontal.


Desprezando a resistência do ar, assinale o gráfico que melhor representa a intensidade da velocidade da bola em função do tempo desde o instante imediatamente após o chute até o momento em que ela atinge novamente o solo.


Nos gráficos, vev\tiny e e tet\tiny e são valores usados apenas para fixar as escalas de velocidade e tempo.

Cinemática

Desconsiderando o atrito com o ar, a bola não fica sujeita a qualquer força horizontal do momento imediatamente após o chute até retornar o solo. Assim, a componente horizontal da velocidade da bola é constante e igual a vx=vcos40v_x = v cos40°. Já a componente vertical, inicia o trajeto como vy=vsen40v_y = vsen40°, reduz-se linearmente com o tempo até o ponto de altura máxima em tet_e quando vy=0v_y = 0 e volta a crescer até a sua intensidade original, porém agora orientada para baixo, até o retorno ao solo.


Assim, percebe-se que a velocidade da bolo nunca é nula, e é mínima na metade do tempo, como é representado somente pelo gráfico (a).


Resolução alternativa: além disso, é útil pensar que como nenhuma força horizontal atua sobre a bola, se sua velocidade fosse nula em algum momento, ela permaneceria nula na direção horizontal para o resto do percurso, fazendo uma trajetória que sobe até a altura máxima em parábola, e depois retorna até o solo em linha reta, o que é impossível.

(A)

Questão 10

A vida moderna depende intensamente do uso de energia. Transporte, iluminação, comunicação, produção de alimentos e funcionamento de máquinas são exemplos de atividades que necessitam de diferentes fontes energéticas.

Um aspecto importante para o planejamento de uso de uma fonte de energia é saber se ela é renovável ou não renovável.


Assinale a alternativa que apresenta uma fonte de energia não renovável.


(a) Energia solar

(b) Energia eólica

(c) Energia hidrelétrica

(d) Energia termonuclear

(e) Biomassa de matriz agrícola

Fontes de energia renováveis e não renováveis

A fonte de energia termonuclear não é renovável, pois as usinas nucleares utilizam principalmente o urânio enriquecido como material base para gerar energia. Além disso, o setor também utiliza outros minerais radiativos, como o plutônio e o tório. Esses elementos são recursos geológicos limitados, formados bilhôes de anos atrás, que não se regeneram na Terra.

(D) Energia termonuclear

Questão 11

Em uma pista de patinação, um menino usando patins decide puxar um caixote que está apoiado sobre rodízios, conforme a figura, fora de escala, ao lado.

Considere que, inicialmente, o menino e o caixote estão em repouso em relação ao piso. A partir de certo instante, o menino puxa a corda com uma força de intensidade constante.

Sabendo que a massa do menino é o dobro da massa do caixote, e desprezando os atritos, assinale a alternativa correta.


(a) O menino permanece em repouso em relação ao piso e o caixote se move em direção ao menino.

(b) O caixote permanece em repouso e o menino se move em direção ao caixote.

(c) O menino e o caixote se movem com velocidade constante até se encontrarem.

(d) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem na metade do caminho entre eles.

(e) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem em um ponto mais próximo da posição inicial do menino.

Quantidade de Movimento

Denominando Mcaixote=MM_{caixote} = M, então pela relação dada no enunciado Mmenino=2MM_{menino} = 2M.

Assim, quando o menino puxa a corda, ele se submete a uma força TT, horizontal para a direita, enquanto o caixote é submetido à mesma força TT, porém horizontal para a esquerda.


Como não agem sobre o sistema quaisquer forças externas, vale a Conservação da Quantidade de Movimento. Logo

Qcaixote+Qmenino=0{\vec{Q}}_{caixote} + {\vec{Q}}_{menino} = 0

Mvcaixote+2Mvmenino=0M {\vec{v}}_{caixote} + 2M {\vec{v}}_{menino} = 0

vmenino=12vcaixote{\vec{v}}_{menino} = - \frac{1}{2} {\vec{v}}_{caixote}


Dessa equação, retiram-se as seguintes conclusões:

I) Não é possível que um dos dois corpos se movimente sem que o outro saia do estado de repouso. Eliminando as alternativas (a) e (b)

II) O menino e o caixote se encontram em uma posição mais próxima da posição inicial do menino, visto que este tem velocidade menor. Eliminando a alternativa (d)


Quanto à alternativa (c), não é possível que os corpos tenham velocidade constante visto que tanto o menino quanto o caixote estão sob efeito exclusivo da força de tração.


Logo, alternativa (e)

(E) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem em um ponto mais próximo da posição inicial do menino.

Questão 12

Exaustores eólicos são dispositivos instalados em telhados para auxiliar no resfriamento de ambientes internos. Veja montagem diagramática na figura ao lado. Eles giram devido à ação do vento e ajudam a retirar o ar quente do interior de galpões, depósitos e residências.

Considerando o funcionamento de exaustores eólicos, analise as sentenças:


I. Mesmo sem vento, em dias quentes o exaustor pode girar lentamente devido às correntes de convecção do ar.

II. Quando há vento, o giro do exaustor contribui para criar uma região de baixa pressão, favorecendo a retirada do ar quente da parte superior da edificação.

III. Uma abertura na parte inferior da edificação permite a entrada de ar externo, evitando que a pressão interna diminua muito e mantendo uma circulação de ar de baixo para cima.


São verdadeiras:


(a) somente I (b) somente II (c) somente III (d) somente I e II (e) I, II e III

Fluidomecânica

I) Verdadeiro. O ar quente na parte inferior da edificação tente a subir por convecção térmica, gerando o movimento dos exaustores.

II) Verdadeiro. Pela Equação de Bernoulli (p0+dgh+dv22=cte.p_0 + dgh + d \frac{v^2}{2} = cte.) o aumento da velocidade de um fluido (vv) gera a redução da pressão estática (p0)(p_0) na região superior à edificação, fazendo com que o ar flua para fora da edificação.

III) Verdadeiro. A saída contínua de ar pelo exaustor geraria uma queda de pressão se não fosse pela abertura na parte inferior.

(E) I, II e III

Questão 13

Em uma bancada de laboratório de acústica, dois pequenos alto-falantes, separados por uma distância L, são montados voltados um para o outro. Eles são ajustados para emitir ondas sonoras em fase e de comprimento de onda λ=L/2\lambda = L/2.


Utilizando um decibelímetro, um estudante identifica os pontos de mínima intensidade sonora ao longo da linha que une os dois alto-falantes.


Em cada uma das figuras abaixo, a linha pontilhada entre os alto-falantes está dividida em segmentos de mesmo comprimento pelas marcas verticais.


Assinale a figura que melhor representa os pontos onde ocorre interferência destrutiva entre as ondas.

Ondulatória e Interferência

Como as ondas estão em fase (cristas e vales emitidos simultaneamente) vai se formar um aspecto no qual os vales de uma onda coincidem com a crista da outra onda nas linhas verticais 1, 3, 5 e 7. Logo, esses serão os pontos de interferência destrutiva, o que é representado na alternativa E.

(E)

Questão 14

Algumas propriedades físicas são aditivas, outras não. Quando uma propriedade é aditiva, o valor total pode ser obtido somando os valores das partes.

Por exemplo, se em sua cesta de compras há um pacote de feijão de 2 kg e um pacote de arroz de 5 kg, então a massa total de alimentos é de 7 kg.

Já no caso da pressão, isso não ocorre. Se o pneu dianteiro de uma bicicleta está com pressão manométrica de 50 PSI e o traseiro com 70 PSI, não faz sentido afirmar que a bicicleta esteja com pressão de 120 PSI.

Portanto, massa é uma propriedade aditiva, enquanto pressão não é.


Assinale a alternativa que contém apenas propriedades aditivas.


(a) densidade, temperatura

(b) densidade, entropia

(c) energia, temperatura

(d) entropia, temperatura

(e) energia, entropia

Unidades de Medida

Densidade:

Dado um corpo maior composto por dois corpos menores A e B como representado na imagem abaixo:

Sendo mAm_A e VAV_A as massas e volume da parte A e sendo mBm_B e VBV_B as mesmas unidades para o corpo B, tem-se que as densidades dos corpos A e B são dA=mAVAd_A = \frac{m_A}{V_A} e dB=mBVBd_B = \frac{m_B}{V_B}. Já a massa do corpo composto pelos dois menores será dC=mA+mBVA+VBd_C = \frac{m_A + m_B}{V_A + V_B}. Ou seja, a densidade não é aditiva já que dCd_C =/= dA+dBd_A + d_B.


Temperatura:

Dados os mesmos dois corpos com temperaturas θA\theta_A e θB\theta_B e capacidades caloríficas CAC_A e CBC_B. Ambos trocarão energia de um modo que:

QA+QB=0Q_A + Q_B = 0

CA(θfθA)+CB(θfθB)=0C_A (\theta_f - \theta_A) + C_B (\theta_f - \theta_B) = 0

CAθfCAθA+CBθfCBθB=0C_A \theta_f - C_A \theta_A + C_B \theta_f - C_B \theta_B = 0

θf(CA+CB)=CAθA+CBθB\theta_f (C_A + C_B) = C_A \theta_A + C_B \theta_B

θf=CAθA+CBθBCA+CB\theta_f = \frac{C_A \theta_A + C_B \theta_B}{C_A + C_B}


Logo, a temperatura é uma média ponderada das temperaturas pelas capacidades caloríficas, não uma unidade aditiva.


Energia:

A energia é aditiva. Dados dois sistemas de energias EAE_A e EBE_B, a energia total será EA+EBE_A + E_B.


Entropia:

A entropia é aditiva. Dados dois sistemas de entropias SAS_A e SBS_B, a entropia total será SA+SBS_A + S_B.

(E) energia, entropia

Questão 15

No Brasil, através do Inmetro, houve a padronização da maioria das medidas em acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). Desta forma, para cada grandeza física há uma unidade associada. Por exemplo, a unidade de distância no SI é o metro, de símbolo m, e a unidade de tempo é o segundo, de símbolo s. Mesmo assim, convivemos com medidas práticas que não fazem parte do SI. Por exemplo, segundo e hora são ambas unidades de tempo.


Assinale abaixo a alternativa que contém unidades associadas a grandezas físicas diferentes.


(a) caloria, joule

(b) ano-luz, segundo

(c) watt, cavalo a vapor

(d) newton, quilograma-força

(e) elétron-volt, quilowatt-hora

Unidades de Medida

a) Tanto caloria quanto joule são unidades de medida de energia.

b) A medida ano-luz indica a distância percorrida à velocidade da luz em um período de um ano, já o segundo é uma unidade de tempo.

c) Tanto watt quanto cavalo a vapor são unidades de potência.

d) Tanto newton quanto quilograma-força são unidades de força.

e) Tanto elétron-volt quanto quilowatt-hora são unidades de energia.

(B) ano-luz, segundo

Questão 16

Em um laboratório de física há dois pequenos blocos, 1 e 2, de massas m1m_1 e m2m_2, suspensos por molas idênticas de constante elástica kk. Os arranjos são montados lado a lado, conforme a figura ao lado.


Seja yr=y1y2y_r = y_1 - y_2 a posição vertical do bloco 1 em relação ao bloco 2, onde y1y_1 e y2y_2 são as coordenadas verticais dos blocos em relação ao solo.


Sejam ainda A1A_1, f1f_1 e ϕ1\phi_1, respectivamente, a amplitude, a frequência e a fase inicial do movimento do bloco 1. Analogamente, A2A_2, f2f_2 e ϕ2\phi_2 são as mesmas grandezas para o bloco 2.

Para que yry_r permaneça constante enquanto ambos os blocos se movimentam, é suficiente que:


(a) A1=A2A_1 = A_2

(b) f1=f2f_1 = f_2

(c) A1A_1 = A2A_2 e f1f_1 = f2f_2

(d) f1f_1 = f2f_2 e ϕ1\phi_1 = ϕ2\phi_2

(e) A1A_1 = A2A_2, f1f_1 = f2f_2 e ϕ1\phi_1 = ϕ2\phi_2

Movimento Harmônico Simples (MHS)

É preciso pensar que se yry_r, a distância vertical entre os dois blocos, é sempre constante, então para todos os pontos do movimento do bloco 1, ficam definidos os pontos por onde o bloco 2 passa por aquele mesmo instante. Por exemplo:


Quando o bloco 1 passa pela sua altura máxima, o bloco 2 deve estar a uma distância yry_r abaixo.

Quando o bloco 2 passa pela sua posição de equilíbrio, o bloco 2 deve estar a uma distância yry_r abaixo.


E assim por diante.


Logo, enquanto a trajetória do bloco 1 contêm os pontos de y=0y = 0 até y=2A1y = 2 A_1, a trajetória do bloco 2 vai de y=yry = y_r até y=2A1+yry = 2A_1 + y_r, donde se tira que 2A1+yr=2A2+yr2A_1 + y_r = 2A_2 + y_r, ou seja, A1=A2A_1 = A_2.


Quanto à frequência, é preciso que os dois blocos realizem movimentos estritamente coordenados, já que caso um tive frequência maior que o outro a distância entre eles mudaria. Logo, f1=f2f_1 = f_2.


Já quanto a fase, ao definir a posição inicial do bloco 1, a posição do bloco 2 será aquela exatamente a uma distância yry_r  para baixo, ponto que ocupa a mesma posição em relação à trajetória do bloco 2. Portanto, ϕ1=ϕ2\phi_1 =\phi_2.

(E) A1=A2A_1 = A_2, f1=f2f_1 = f_2 e ϕ1=ϕ2\phi_1 = \phi_2

Questão 17

Um recipiente fechado e transparente está preenchido com água até a metade. Ele está sobre um carrinho que pode deslizar em um plano inclinado, mantendo o recipiente sobre uma plataforma horizontal, conforme a figura ao lado.


Inicialmente, com o carrinho em repouso, o nível da água no recipiente é horizontal.

O carrinho é solto e passa a deslizar para baixo ao longo do plano inclinado. Durante o movimento, o recipiente permanece na horizontal e a água tem tempo de se acomodar em seu interior.


Assinale a figura que melhor representa o nível da água no recipiente enquanto o carrinho acelera para baixo ao longo do plano inclinado.

Fluidomecânica

A superfície livre de qualquer líquido em equilíbrio hidrostático se alinha sempre de forma perpendicular à gravidade efetiva.

Sendo que a gravidade efetiva para um líquido em aceleração é gef=ga\vec{g}_{ef} = \vec{g} - \vec{a}.


Nesse caso, a- \vec{a} tem sentido diagonal para cima no plano inclinado, enquanto g\vec{g} tem sentido vertical para baixo. Logo, a soma vetorial terá sentido diagonal e para baixo, que deve ser perpendicular à superfície do líquido, o que só é representado pela alternativa (b).


(B)

Questão 18

Um sistema de polias, composto por uma polia fixa e uma polia móvel, está preso ao teto por duas hastes metálicas AA e BB. Uma pessoa puxa para baixo a extremidade livre da corda com uma força de intensidade TT, levantando uma carga de peso PP com velocidade constante.

Seja RR a intensidade da força resultante que as hastes metálicas aplicam no teto. Deternine TT e RR.

Mecânica

Sendo a corda ideal, a tração tem o mesmo valor em todos os pontos da corda.

A princípio, perceba que a carga de peso PP está preso à uma polia móvel. Como a carga sobe com velocidade constante:


a=0FR=0a=0 \to F\tiny R \normalsize=0


Na polia móvel, atuam duas trações para cima, cada uma de intensidade TT:


2T=P2T=P


Logo:


T=P2T=\frac{P}{2}


Agora, calculemos as forças que atuam sobre cada haste.

Haste A: Sob a polia fixa atuam duas trações, uma em cada lado, direcionadas para baixo Por isso, a força FAF\tiny A que atua na haste A é dada por:


FA=T+T=P2+P2=PF\tiny A \normalsize = T + T = \frac{P}{2} + \frac{P}{2} = P


Haste B: Na haste B, temos apenas a extremidade da corda presa a ela. Assim, ela é puxada para baixo com força:


FB=T=P2F \tiny B \normalsize = T = \frac{P}{2}


Portanto, a resultante das forças que as hastes metálicas AA e BB aplicam no teto é:


R=FA+FB=P+P2=3P2R = F\tiny A \normalsize + F\tiny B \normalsize = P + \frac{P}{2} = \frac{3P}{2}

(B) T=P/2 e R=3P/2T=P/2 \text{ e } R=3P/2

Questão 19

Em um laboratório didático, uma estudante de física obtém o gráfico abaixo para a velocidade de um pequeno disco que se move ao longo de um trilho retilíneo.

Determine a razão Δx/d\Delta x/d entre o deslocamento Δx\Delta x e a distância total percorrida dd pelo disco entre os instantes t=0t=0 e t=20st=20s.


(a) −1 (b) −1/5 (c) −1/2 (d) 0 (e) 1/5

Cinemática / Gráfico velocidade x tempo

O deslocamento Δx\Delta x corresponde ao valor algébrico determinado pela àrea sob o gráfico:


De 0 a 5 segundos:

Δx05=16,05=80,0\Delta x \tiny 0 \to 5 \normalsize = 16,0 \cdot 5 = 80,0


De 5 a 15 segundos:

Perceba que nesse intervalo as duas àreas positiva e negativa se cancelam, logo Δx515=0\Delta x \tiny 5 \to 15 \normalsize = 0


De 15 a 20 segundos:

Δx1520=5(16,0)2=40,0cm\Delta x \tiny 15 \to 20 \normalsize = \frac{5 \cdot (-16,0)}{2} = -40,0 cm (abaixo do eixo)


Sendo assim, o deslocamento é Δx=80,040,0=40,0cm\Delta x = 80,0 - 40,0 = 40,0 cm.

Agora, para descobrir a distância total dd percorrida pelo disco nesse intervalo de tempo, basta somar os módulos das àreas:


De 0 a 5 segundos:

d05=16,05=80,0cm|d \tiny 0 \to 5 \normalsize| = 16,0 \cdot 5 = 80,0 cm


De 5 a 10 segundos:

d510=16,052=40,0cm|d \tiny 5 \to 10 \normalsize| = \frac{16,0 \cdot 5}{2} = 40,0 cm


De 10 a 15 segundos:

d1015=16,052=40,0cm|d \tiny 10 \to 15 \normalsize| = \frac{16,0 \cdot 5}{2} = 40,0 cm


De 15 a 20 segundos:

d1520=16,052=40,0cm|d \tiny 15 \to 20 \normalsize| = \frac{16,0 \cdot 5}{2} = 40,0 cm


Dessa maneira, a distância total percorrida é d=80,0+40,0+40,0+40,0=200,0cmd = 80,0 +40,0+40,0+40,0 = 200,0 cm.

Portanto, a razão Δx/d\Delta x/d é dada por:


Δx/d=40,0/200,0=1/5\Delta x/d = 40,0/200,0 = 1/5

(E) 1/51/5

Questão 20

Uma balança eletrônica de precisão, capaz de detectar variações de alguns miligramas, mede a força que sua plataforma exerce sobre a amostra medida. O fabricante então divide esse valor pela aceleração da gravidade terrestre, aproximadamente 9,8m/s29,8 m/s^2 , e apresenta o resultado em quilogramas.


Assim, o valor indicado pela balança pode mudar dependendo da situação em que a medida é realizada.


Seja P o valor indicado pela balança em condições normais e PAP_A o valor indicado em outra situação.


Assinale a alternativa incorreta.


(a) PA=PP_A = P, em um elevador subindo com velocidade constante.

(b) PA<PP_A < P, na Lua.

(c) PA<PP_A < P, em uma câmara de vácuo absoluto.

(d) PA<PP_A < P, em um elevador descendo e desacelerando até parar.

(e) PA=0P_A = 0, dentro de um laboratório espacial em órbita ao redor da Terra.

Mecânica

(a) Se o elevador está sob velocidade constante, então a força normal que a balança faz sobre o corpo é igual ao seu peso, resultando na mesma leitura da situação normal. Correta.

(b) Na lua, a gravidade é menor do que a terrestre (aproximadamente 1,621,62 m/s²). Logo, a força normal que a balança faz sobre o corpo é menor do que o seu peso na Terra, resultando em uma leitura menor. Correta.

(c) Sem o ar, não existe o empuxo que empurra os objetos para cima, aumentando o peso sentido pela balança e a leitura. Incorreta.

(d) Em um elevador descendo e desacelerando, a resultante das forças sobre o corpo deve ser para cima, logo, a força que a balança exerce sobre o corpo deve ser maior que o seu peso, causando uma leitura maior. Incorreta.

(e) Em órbita, tudo está sob a ação da força gravitacional que age como resultante centrípeta. A situação é análoga a um elevador em queda livre e mostra PA=0P_A = 0. Correta.

(C) PA<PP_A < P, em uma câmara de vácuo absoluto.


e


(D) PA<PP_A < P, em um elevador descendo e desacelerando até parar.