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Fase 1 da OBF 2026

Escrito por Pedro Augusto e Gabriel Gomide

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Questão 1

O espectro eletromagnético, ilustrado na figura abaixo, é uma forma de classificar as ondas eletromagnéticas de acordo com suas frequências ou comprimentos de onda.




Considere as sentenças:


I. As ondas eletromagnéticas podem ser classificadas pelo comprimento de onda ou pela frequência, pois, no vácuo, todas se propagam com a mesma velocidade.

II. As regiões do ultravioleta e do infravermelho correspondem, respectivamente, a frequências imediatamente acima e imediatamente abaixo da faixa visível ao olho humano.

III. Um rádio de ondas curtas e o olho humano são detectores de ondas eletromagnéticas. O rádio detecta ondas com comprimento de onda da ordem de 50 m, enquanto o olho humano detecta ondas da ordem de 500 nm. 


São verdadeiras as sentenças: 

(a) I (b) II (c) I e II (d) II e III (e) Todas são verdadeiras 


Ondulatória e ondas eletromagnéticas

Vamos analisar cada setença:


I) Verdadeira. No vácuo, todas as ondas eletromagnéticas, desde as ondas de rádio até os raios game, propagam-se com exatamente a mesma velocidade, que é a velocidade da luz (c = 3 × 10^8 /s).


II) Verdadeira. A equação fundamental da ondulatória estabelece que c = λ × f. Como c é uma constante universal no vácuo, o comprimento de onda (λ) e a frequência (f) guardam uma relação de proporcionalidade inversa unívoca. Isso significa que conhecer a frequência é equivalente a conhecer o comprimento de onda, permitindo que o espectro seja classificado indistintamente por qualquer uma das duas grandezas. 


O espectro visível pelo olho humano é delimitado pela luz vermelha (que possui a menor frequência e o maior comprimento de onda visível) e pela luz violeta (que possui a maior frequência e o menor comprimento de onda visível).




  • O infravermelho recebe esse nome por estar "abaixo do vermelho" em termos de frequência (imediatamente inferior à faixa visível).
  • O ultravioleta recebe esse nome por estar "além do violeta" em termos de frequência (imediatamente superior à faixa visível).


III) Verdadeira. Ambos os sistemas funcionam como antenas biológicas ou tecnológicas projetadas para captar oscilações de campos eletromagnéticos. O rádio de ondas curtas opera na faixa de alta frequência (HF), cujos comprimentos de onda medem de dezenas a centenas de metros, tornando a ordem de 50 m perfeitamente correta. Por outro lado, a janela óptica do olho humano estende-se de aproximadamente 400 nm (violeta) a 700 nm (vermelho), logo, a ordem de 500 nm (região do verde) está perfeitamente contida na nossa capacidade de detecção.



Logo, são verdadeiras as afirmações I, II e III.


E) Todas são verdadeiras

Questão 2

Há sempre um custo energético para manter um automóvel trafegando em uma estrada. Parte desse custo está associada à energia cinética do veículo, que depende de sua massa e de sua velocidade.


Se um motorista decide aumentar sua velocidade de cruzeiro de 80 km/h para 100 km/h, podemos dizer que a variação percentual aproximada de energia cinética do automóvel é


(a) 20% (b) 25% (c) 44% (d) 56% (e) 64%

Trabalho e Energia Mecânica

Denominemos E0E\tiny 0 a energia cinética inicial do veículo e EfE\tiny f sua energia cinética final.


Pelo enunciado, sabemos que houve um fator de aumento pp sobre sua velocidade tal que E0=Ef×(1+p)E\tiny 0 \normalsize = E\tiny f \normalsize \times (1+p)


Como sabemos que a energia cinética é dada por Ek=12mv2E\tiny k \normalsize =\frac{1}{2} mv², então, substituindo

12mv02=12mvf2×(1+p)\frac{1}{2}mv_{0}²=\frac{1}{2}mv_{f}² \times (1+p)

Dividindo-se ambos os lados por 12m\frac{1}{2}m:


v02=vf2×(1+p)v_{0}²=v_{f}² \times (1+p)


Como tanto v0v_{0} quanto vfv_{f} são dados em km/h e aparecem em ambos os lados de uma igualdade, não é necessário converter para o SI.


(100)2=(80)2×(1+p)(1+p)=(10080)2=(54)2=25161,56(100)²=(80)² \times (1+p) \newline (1+p)=(\frac{100}{80})²=(\frac{5}{4})²=\frac{25}{16} \cong 1,56


Logo p=56p=56%.

(D) 56%

Questão 3

O gelo seco é dióxido de carbono no estado sólido. Em pressão ambiente, ele sofre sublimação, passando diretamente do estado sólido para o gasoso, sem passar pelo estado líquido. Considere o diagrama de fases do dióxido de carbono, simplificado e fora de escala, mostrado abaixo.

Entre as condições de temperatura TT e pressão PP abaixo, assinale aquela em que o gelo seco pode ser armazenado.


(a) T<78,5°CT<-78,5°C e P=1,0P=1,0 atm.

(b) T=56,6°CT=-56,6°C e P>1,0P>1,0 atm.

(c) T=25,0°CT=25,0°C e P=66P=66 atm.

(d) T=56,6°CT=-56,6°C e P<5,1P<5,1 atm

(e) T=31,1°CT=31,1°C  e P=73P=73 atm.

Diagrama de fases

Como o gelo seco passa por sublimação facilmente, as condições que permitem o seu armazenamento devem, obrigatoriamente, mantê-lo sob o estado sólido.


Analisando todas as alternativas e tendo em vista o conhecimento sobre o diagrama de fases, percebe-se que a única das regiões representadas que está totalmente contida da região sólida do diagrama é a da letra A, que fica representada pela reta vermelha do gráfico abaixo:


(A) T<78,5°CT <-78,5°C e P=1,0P=1,0 atm.

Questão 4

Um estudante vai cozinhar macarrão e coloca certa quantidade de água para ferver. Quando a água entra em ebulição, ele observa que bolhas se formam no fundo da panela, desprendem-se e aumentam de volume à medida que sobem até a superfície. Ao estourarem, forma-se uma “fumaça branca” que sobe pelo ar. 


O estudante propõe a seguinte explicação para o fenômeno:


“No fundo da panela há formação de bolhas de __________. O aumento do volume das bolhas à medida que sobem ocorre devido à __________. A “fumaça branca” observada acima da panela é produzida pela __________.” As palavras que melhor completam os espaços em branco são:


(a) vapor de água, diminuição da pressão externa, condensação do vapor

(b) vapor de água, aumento da temperatura interna, ebulição da água 

(c) ar quente, diminuição da pressão externa, ebulição da água

(d) ar quente, aumento da temperatura interna, ebulição da água

(e) ar quente, diminuição da pressão externa, condensação do vapor 


Estados físicos da matéria, Termologia e Hidrostática

Para preencher corretamente as lacunas e eliminar as alternativas incorretas, vamos analisar o fenômeno físico por trás de cada etapa descrita:


1ª Lacuna: Composição das bolhas ("vapor de água" vs. "ar quente")


Quando a água atinge a temperatura de ebulição, a transição do estado líquido para o gasoso passa a ocorrer em toda a massa do líquido, e não apenas na superfície. Como a fonte de calor está na base da panela, a água ali vaporiza primeiro, originando as bolhas. Portanto, essas bolhas são compostas exclusivamente por vapor de água.

Por que não "ar quente"? O ar que estava dissolvido na água é liberado bem antes da fervura, na forma de bolhas minúsculas que não crescem desse jeito. Se a água já está fervendo, a bolha é o próprio fluido mudando de fase.


  • Eliminam-se as alternativas (c), (d) e (e).


2ª Lacuna: O aumento de volume das bolhas ("diminuição da pressão externa" vs. "aumento da temperatura interna")


À medida que a bolha de vapor se desprende do fundo e sobe, a altura da coluna de água acima dela diminui progressivamente. De acordo com a Lei de Stevin para a pressão hidrostática:

P = Patm + p × g × h


Onde:


  • P é a pressão absoluta no ponto analisado;
  • Patm é a pressão atmosférica;
  • p é a densidade do fluido;
  • g é a aceleração da gravidade;
  • h é a profundidade. 

Conforme a bolha sobe, h diminui, o que gera uma diminuição da pressão externa exercida pela água sobre a bolha. Pela lei dos gases, se a pressão externa diminui, o gás interno se expande para igualar as pressões, aumentando o volume da bolha.

Por que não "aumento da temperatura interna"? A água em ebulição (ao nível do mar e em recipiente aberto) permanece com sua temperatura constante em aproximadamente 100 °C. Não há um aumento substancial de temperatura na subida que justifique aquela expansão visualmente perceptível; o fator predominante e correto é a variação de pressão hidrostática.


  • Elimina-se a alternativa (b).


3ª Lacuna: A natureza da "fumaça branca" ("condensação do vapor" vs. "ebulição da água")


O vapor de água invisível é liberado no ar quando a bolha estoura na superfície. O ar ambiente acima da panela está a uma temperatura muito menor do que os 100 °C do vapor. Esse choque térmico faz com que o vapor perca calor rapidamente e sofra condensação do vapor, transformando-se de volta em uma infinidade de microgotículas de água líquida suspensas no ar. Essa névoa líquida é o que enxergamos como "fumaça branca".

Por que não "ebulição da água"? A ebulição é o processo de passagem do líquido para o vapor que ocorre dentro da panela. A fumaça vista fora e acima da panela já é o processo inverso (gasoso voltando a ser líquido visível).

A) vapor de água, diminuição da pressão externa, condensação do vapor

Questão 5

A figura ao lado representa um barômetro de Torricelli. Um tubo cilíndrico de vidro, fechado na extremidade superior, de comprimento L=100cmL = 100cm, é inicialmente preenchido com mercúrio e, em seguida, invertido e mergulhado em uma cuba que também contém mercúrio. Quando a pressão externa é de 1 atm e a temperatura é de 25°C25°C, a altura da coluna de mercúrio é de h=76cmh=76cm.



Considere as sentenças:


I. A coluna de mercúrio é sustentada pela atração da região de vácuo formada na parte superior do tubo.

II. Se o barômetro for construído com um tubo de 50cm de comprimento, nas mesmas condições, o mercúrio preencherá todo o tubo.

III. Se o barômetro for construído com um tubo com o dobro da área de seção transversal, nas mesmas condições, a coluna de mercúrio terá 38cm de altura.


São verdadeiras somente as sentenças:


(a) I (b) II (c) III (d) I e II (e) II e III

Hidrostática

I. A coluna fica sustentada pela pressão atmosférica exercida sobre a superfície do mercúrio na cuba. O vácuo não exerce força nem "atrai" a coluna de mercúrio. Incorreta.

II. De acordo com o experimento, a pressão atmosférica de 1 atm consegue sustentar uma coluna de 76 cm de mercúrio. Por isso, se o tubo possuir apenas 50 cm de altura, a coluna de mercúrio irá ocupar todo o tubo, não sobrando espaço para formar o vácuo de Torricelli. Correta.

III. A altura da coluna de mercúrio, à pressão de 1 atm, pode ser obtida pela seguinte expressão:

Patm=ρghP\tiny atm \normalsize =\rho g h

Perceba que a àrea de seção transversal não aparece na expressão. Assim, a altura permaneceria inalterada mesmo ao dobrar a àrea do tubo. Incorreta.


Logo, está correta apenas a afirmativa II.

(B) II


Questão 6

Questão 6. Um estudante escreveu a seguinte frase usando o conceito de raio de luz para explicar como uma peça de xadrez à sua frente é vista. 


“Um raio de luz emitido pela lâmpada __________ em um ponto da peça de xadrez em direção à pupila do observador. Em seguida, __________ no cristalino (lente natural no interior do olho), para __________, onde é absorvido.”


Os espaços em branco devem ser preenchidos, respectivamente, por: 

(a) reflete, refrata, um ponto da retina

(b) reflete, refrata, uma área da retina

(c) refrata, reflete, uma área da retina

(d) reflete, reflete, um ponto da retina

(e) refrata, refrata, uma área da retina

Óptica Geométrica e Visão Humana

Para preencher corretamente as lacunas, vamos acompanhar a trajetória retilínea do raio de luz desde a sua origem até a formação da imagem no olho do observador:


1ª Lacuna: Interação com a peça de xadrez ("reflete" vs. "refrata")

A peça de xadrez é um corpo iluminado (opaco), o que significa que ela não produz luz própria, apenas desvia a luz que recebe da lâmpada. Quando o raio de luz atinge a superfície da peça e "bate e volta" em direção ao olho do estudante, ocorre o fenômeno da reflexão (reflete).

Por que não "refrata"? A refração exige que a luz atravesse um meio transparente ou translúcido mudando de velocidade. Como a peça é opaca, a luz não passa por dentro dela.

  • Eliminam-se as alternativas (c) e (e).


2ª Lacuna: Passagem pelo cristalino ("refrata" vs. "reflete")

Ao chegar ao olho do observador, o raio de luz passa pela pupila e atinge o cristalino, que funciona como uma lente convergente natural e transparente. Quando a luz passa do meio aéreo para o interior dessa lente orgânica, ela muda de meio de propagação, sofrendo um desvio em sua trajetória. Esse fenômeno é a refração (refrata).

Por que não "reflete"? Se o cristalino refletisse a luz, ele agiria como um espelho, impedindo a luz de entrar no olho e tornando a visão impossível. Ele é feito para ser atravessado pela luz.

  • Elimina-se a alternativa (d).


3ª Lacuna: Ponto de chegada no fundo do olho ("um ponto da retina" vs. "uma área da retina")

A questão inicia especificando o comportamento de um único raio de luz vindo de um ponto específico da peça. Pelas propriedades de conjugação óptica de lentes estigmáticas (como o sistema de lentes do olho), os raios que partem de um único ponto do objeto convergem exatamente para um único ponto correspondente na imagem. Portanto, esse raio individual será focado e absorvido em um ponto da retina.

Por que não "uma área da retina"? Enxergaríamos uma área da retina preenchida se o texto estivesse falando da imagem da peça de xadrez inteira. Como o enunciado restringe a análise a apenas um raio oriundo de um único ponto geométrico, seu destino final é um ponto específico.

  • Elimina-se a alternativa (b).


Logo, somente a alternativa (a) está correta.

A) reflete, refrata, um ponto da retina 

Questão 7

Um estudante observa uma exibição de fogos de artifício durante a passagem de ano novo em uma praia de uma cidade litorânea. Ele percebe um atraso de cerca de 3 s entre o instante em que vê o brilho da explosão e o momento em que escuta o som produzido pelos fogos.


Considere as sentenças: 

I. A luz e o som são ondas. 

II. A velocidade da luz é muito maior que a do som, e isso explica o atraso de 3 s em uma explosão distante do observador. 

III. O som corresponde a vibrações do ar e, por isso, explosões com sons de baixa frequência podem ser percebidas também pela nossa pele. 


São verdadeiras apenas:

(a) I (b) II (c) II e III (d) I e II (e) I, II e III

Ondulatória

Vamos analisar detalhadamente cada uma das sentenças para compreender a física por trás do fenômeno observado na praia:


I) Verdadeira. Tanto a luz quanto o som são, fundamentalmente, fenômenos ondulatórios, pois transportam energia sem que haja transporte macroscópico de matéria.

  • A luz é uma onda do tipo eletromagnética e transversal. Isso significa que ela é gerada pela oscilação de campos elétricos e magnéticos perpendiculares à direção de propagação e não necessita de um meio material para se propagar.
  • O som é uma onda do tipo mecânica e longitudinal, caracterizada pela propagação de perturbações mecânicas (variações de pressão) que exigem obrigatoriamente um meio material (como o ar, a água ou um sólido) para se moverem.


II) Verdadeira. A enorme disparidade entre as velocidades de propagação da luz e do som no ar é o que gera a percepção do atraso temporal.

  • Velocidade da luz no ar (aproximadamente igual à do vácuo): c ≈ 3 × 10⁸ m/s (300.000 km/s).
  • Velocidade do som no ar (ao nível do mar e a cerca de 20 °C): Vsom ≈ 340 m/s (0,34 km/s).

Como a velocidade da luz é quase um milhão de vezes maior que a do som, a luz da explosão chega ao olho do estudante de forma praticamente instantânea (≈ 0 s). O som, por sua vez, caminha de forma muito mais lenta.

Sabendo que o atraso foi de 3 s, podemos estimar a distância (d) em que os fogos explodiram usando a equação da velocidade média:

d = Vsom × Δt

d = 340 m/s × 3 s = 1020 m

Ou seja, os fogos estavam a aproximadamente 1 km de distância, justificando perfeitamente o intervalo de tempo observado.


III) Verdadeira. O som se propaga no ar por meio de frentes de compressão (regiões de alta pressão) e rarefação (regiões de baixa pressão), fazendo com que as moléculas de ar oscilem.

Quando nos referimos a sons de baixa frequência (os sons graves, próximos ao limite inferior da audição humana de 20 Hz), as ondas possuem comprimentos de onda maiores e, frequentemente em explosões, carregam uma grande quantidade de energia mecânica por oscilação.

Essa variação física de pressão no ar não estimula apenas a membrana do tímpano em nossos ouvidos, mas também empurra fisicamente os tecidos e os mecanorreceptores da nossa pele, permitindo-nos "sentir" o impacto ou a vibração do som no próprio corpo (como no peito).


Como todas as afirmativas (I, II e III) estão corretas, eliminam-se as alternativas (a), (b), (c) e (d), restando apenas a que valida o conjunto completo.

E) I, II e III

Questão 8

Dois estudantes chegaram em casa e precisavam aquecer uma sopa que estava na geladeira à temperatura de 6°C6°C. O estudante AA colocou no forno de micro-ondas uma porção de sopa com metade da massa de porção do estudante BB, ou seja, mA=mB/2m\small \tiny A\normalsize =m\tiny B\normalsize /2, aquecendo-a na potência máxima durante 3 minutos.

O estudante B repetiu o procedimeento usando a mesma potência e o mesmo tempo de aquecimento. Ao final, um termômetro indicou que a sopa de A estava a TA=60°CT\tiny A\normalsize =60°C, enquanto a sopa de B estava a TB=33°CT\tiny B\normalsize =33°C.

Complete corretamente a frase abaixo.

"A porção de massa mAm\tiny A absorveu ________ quantidade de energia que a porção de massa mBm\tiny B, mas a energia cinética média de agitação térmica das partículas da sopa AA é ________ que a das partículas da sopa BB."


(a) maior, menor

(b) maior, a mesma

(c) maior, maior

(d) a mesma, maior

(e) a mesma, a mesma

Calorimetria e Termologia

Sabemos que ambos os estudantes esquentaram suas sopas com a mesma potência EE do micro-ondas durante o mesmo intervalo de tempo Δt\Delta t. Assim, de acordo com a equação da potência:

E=PΔtE = P\cdot \Delta t

Podemos afirmar que ambas as porções absorveram a mesma quantidade de energia. Agora, lembre que a energia cinética de agitação térmica é diretamente proporcional à sua temperatura absoluta. Por isso, como:

TA=60°CTB=33°CTA>TBT\tiny A \normalsize = 60°C \newline T\tiny B \normalsize = 33°C \newline T\tiny A \normalsize > T\tiny B 

As partículas da sopa AA possuem maior energia cinética média de agitação térmica.


Observação interessante: O fato de mAm\tiny A ser o dobro de mBm\tiny B explica o motivo da sopa AA aumentar mais a sua temperatura. Perceba que:

Q=mcΔTQ=mc\Delta T

Para uma mesma quantidade de calor QQ absorvido, o corpo que tiver menor massa irá variar mais a sua temperatura. De fato:

ΔTA=60°C6°C=54°CΔTB=33°C6°C=27°C\Delta T \tiny A \normalsize = 60°C - 6°C = 54°C \newline \Delta T \tiny B \normalsize = 33°C - 6° C = 27°C

A variação de temperatura da sopa AA foi o dobro da variação de temperatura da sopa BB, coerente com o fato de que mA=mB/2m\tiny A \normalsize = m\tiny B \normalsize /2.

(D) a mesma, maior

Questão 9

No Brasil, através do Inmetro, houve a padronização da maioria das medidas em acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI). Desta forma, para cada grandeza física há uma unidade associada. Por exemplo, a unidade de distância no SI é o metro, de símbolo m, e a unidade de tempo é o segundo, de símbolo s. Mesmo assim, convivemos com medidas práticas que não fazem parte do SI. Por exemplo, segundo e hora são ambas unidades de tempo.


Assinale abaixo a alternativa que contém unidades associadas a grandezas físicas diferentes.


(a) caloria, joule

(b) ano-luz, segundo

(c) watt, cavalo a vapor

(d) newton, quilograma-força

(e) elétron-volt, quilowatt-hora

Unidades de Medida

a) Tanto caloria quanto joule são unidades de medida de energia.

b) A medida ano-luz indica a distância percorrida à velocidade da luz em um período de um ano, já o segundo é uma unidade de tempo.

c) Tanto watt quanto cavalo a vapor são unidades de potência.

d) Tanto newton quanto quilograma-força são unidades de força.

e) Tanto elétron-volt quanto quilowatt-hora são unidades de energia.

(B) ano-luz, segundo


Questão 10

A vida moderna depende intensamente do uso de energia. Transporte, iluminação, comunicação, produção de alimentos e funcionamento de máquinas são exemplos de atividades que necessitam de diferentes fontes energéticas.

Um aspecto importante para o planejamento de uso de uma fonte de energia é saber se ela é renovável ou não renovável.


Assinale a alternativa que apresenta uma fonte de energia não renovável.


(a) Energia solar

(b) Energia eólica

(c) Energia hidrelétrica

(d) Energia termonuclear

(e) Biomassa de matriz agrícola

Fontes de energia renováveis e não renováveis

A fonte de energia termonuclear não é renovável, pois as usinas nucleares utilizam principalmente o urânio enriquecido como material base para gerar energia. Além disso, o setor também utiliza outros minerais radiativos, como o plutônio e o tório. Esses elementos são recursos geológicos limitados, formados bilhôes de anos atrás, que não se regeneram na Terra.

(D) Energia termonuclear

Questão 11

Algumas propriedades físicas são aditivas, outras não. Quando uma propriedade é aditiva, o valor total pode ser obtido somando os valores das partes. 


Por exemplo, se em sua cesta de compras há um pacote de feijão de 2 kg e um pacote de arroz de 5 kg, então a massa total de alimentos é de 7 kg. 


Já no caso da pressão, isso não ocorre. Se o pneu dianteiro de uma bicicleta está com pressão manométrica de 50 PSI e o traseiro com 70 PSI, não faz sentido afirmar que a bicicleta esteja com pressão de 120 PSI. Portanto, massa é uma propriedade aditiva, enquanto pressão não é.


Assinale a alternativa que contém apenas propriedades aditivas.

(a) densidade, volume

(b) densidade, área da superfície

(c) energia, temperatura

(d) energia, volume

(e) volume, temperatura


Propriedades da Matéria e Unidades de Medida

Na física e na química, classificamos as propriedades de um sistema em duas categorias fundamentais de acordo com a sua dependência em relação à quantidade de matéria:



  1. Propriedades Extensivas (Aditivas): São aquelas cujo valor total é a soma dos valores das partes que compõem o sistema. Elas dependem diretamente da quantidade de matéria (massa) ou do tamanho do sistema. Exemplos clássicos: massa, volume, energia, área da superfície, quantidade de movimento.
  2. Propriedades Intensivas (Não Aditivas): São aquelas que independem da massa ou do tamanho do sistema. Se você dividir o sistema ao meio, o valor da propriedade permanece o mesmo em cada metade. Exemplos clássicos: temperatura, pressão, densidade, ponto de fusão/ebulição.


Para resolver a questão e encontrar a alternativa que contém apenas propriedades aditivas (extensivas), vamos analisar cada grandeza citada nas opções:


  • Densidade: Não aditiva (Intensiva). A densidade é a razão entre duas propriedades extensivas (massa e volume), dada por =mv. Se você juntar 1 litro de água (densidade de 1 kg/L) com mais 1 litro de água (densidade de 1 kg/L), a mistura final continua tendo densidade de 1 kg/L, e não 2 kg/L.


  • Volume: Aditivo (Extensivo). Se você despejar 2 litros de água em um balde que já tem 3 litros, o volume total passará a ser de 5 litros.


  • Área da superfície: Aditiva (Extensiva).. Se você juntar lado a lado duas placas quadradas de 1 m² de área cada, a área total do conjunto será de 2 m².


  • Energia: Aditiva (Extensiva). A energia (seja mecânica, térmica, potencial, etc.) é cumulativa. Por exemplo, a energia cinética total de dois carros idênticos viajando à mesma velocidade é a soma das energias cinéticas individuais de cada um.



  • Temperatura: Não aditiva (Intensiva). A temperatura mede o grau médio de agitação das moléculas. Se você misturar 1 copo de água a 20 °C com outro copo de água a 20 °C, a temperatura final da mistura continuará sendo 20 °C, e não 40 °C.


Logo, a única alternativa que está correta é a D.


D) energia, volume

Questão 12

Uma balança de banheiro mede a força que sua plataforma exerce sobre o usuário.


O fabricante então divide esse valor pela aceleração da gravidade terrestre, aproximadamente 9,8 m/s², e apresenta o resultado em quilogramas.


Assim, o valor indicado pela balança pode mudar dependendo da situação em que a medida é realizada.


Seja P o valor indicado pela balança em condições normais e PA o valor indicado em outra situação.


Por exemplo, se a balança estiver no fundo plano de uma piscina infantil e o usuário estiver com água até os joelhos, então PA < P, pois o empuxo da água contribui para sustentar o usuário.


Assinale a alternativa incorreta.

(a) PA = P, em um elevador subindo com velocidade constante.

(b) PA = P, em um elevador descendo com velocidade constante.

(c) PA < P, em um elevador descendo e desacelerando até parar.

(d) PA < P, na Lua.

(e) PA = 0, em um laboratório espacial em órbita em torno da Terra


Dinâmica e Gravitação

Para resolver esta questão, precisamos primeiro compreender o funcionamento físico da balnaça de banheiro. Ela não mede diretamente a massa do corpo, mas sim a força normal (N) que a sua plataforma exerce para cima contra os pés do usuário.


A balança é calibrada para converter essa força em “quilogramas” dividindo o valor medido por g=9,8m/s². Em condições normais (repouso na Terra), a normal é igual ao peso real (N=mg), logo a balança indica a massa real do usuário (P). Em outras situações (PA), a força normal pode mudar dependendo da aceleração do sistema ou da gravidade local.


Como a questão pede a alternativa incorreta, vamos analisar cada uma delas:


(a) Verdadeira: PA=P, em um elevador subindo com velocidade constante. Se a velocidade é constante, o movimento é Retilíneo Uniforme (MRU). Portanto, a aceleração do elevador é nula (a=0). Pela Primeira Lei de Newton (inércia), a força resultante sobre o usuário deve ser zero:

FR = N - Preal = 0 -> N = Preal

Como a força normal (N) exercida sobre a balança é idêntica à situação do repouso, o valor indicado será o normal (PA=P).


(b) Verdadeira: PA=P, em um elevador descendo com velocidade constante. Exatamente pelo mesmo motivo da alternativa anterior: se a velocidade é constante (seja subindo ou descendo), a aceleração é zero. A força resultante continua sendo nula, o que garante que N=Preal e, consequentemente, PA=P.


(c) INCORRETA: PA<P, em um elevador descendo e desacelerando até parar. Vamos analisar os vetores: se o elevador está se movimentando para baixo (velocidade para baixo) e está desacelerando, significa que a sua aceleração a está apontando no sentido oposto ao movimento, ou seja, para cima. Aplicando a Segunda Lei de Newton (Fr=ma) com o sentido para cima como positivo:

F = N - Preal = m × a -> N = Preal + m × a

Como a aceleração está voltada para cima, a balança precisa empurrar o usuário com uma força maior do que o seu peso real para conseguir freá-lo. Como N>Preal, o valor indicado na balança será maior que o normal (PA>P), e não menor como afirma a alternativa.


(d) Verdadeira: PA<P, na Lua. A aceleração da gravidade na Lua (gLua1,6 m/s²) é muito menor do que a da Terra. Nesse sentido, a força normal necessária para sustentar a pessoa é de apenas N=mgLua. Com isso, PA<P.


(e) Verdadeira: PA=0, em um laboratório espacial em órbita em torno da Terra. Um objeto em órbita está em um estado de "queda livre" contínua em relação à Terra (estado de imponderabilidade). Tanto o astronauta quanto a balança caem juntos com a mesma aceleração gravitacional local. Como não há compressão mecânica entre os pés do astronauta e a plataforma da balança, a força normal é nula (N=0). Portanto, a balança registrará  PA=0.


Logo, a única alternatvia INCORRETA é a (c).


C) PA < P, em um elevador descendo e desacelerando até parar. 


Questão 13

Considere um satélite de comunicação em órbita em torno da Terra. Sobre o movimento orbital do satélite, é correto afirmar que:

(a) só é possível graças ao sistema de propulsão do satélite

(b) só é possível devido à ausência de gravidade

(c) possui período constante

(d) tem aceleração desprezível

(e) possui velocidade escalar (rapidez) constante em qualquer tipo de órbita

Gravitação Universal e Mecânica Celeste

Para identificar a alternativa correta, precisamos analisar o comportamento físico de um corpo em órbita estável ao redor de um planeta, utilizando os princípios da Dinâmica de Newton e as Leis de Kepler:



(a) Incorreta. "só é possível graças ao sistema de propulsão do satélite"

  • Explicação: Uma vez que o satélite é colocado em órbita com a velocidade correta, ele não precisa manter seus motores ligados para continuar orbitando. O movimento continua ocorrendo devido à sua própria inércia combinada com a atração gravitacional. O sistema de propulsão a bordo serve apenas para realizar pequenas correções de órbita ou mudar de trajetória quando necessário.


(b) Incorreta. "só é possível devido à ausência de gravidade"

  • Explicação: Esse é um erro conceitual muito comum. Na altitude em que os satélites operam (mesmo a milhares de quilômetros de altura), a gravidade da Terra ainda é muito forte (na órbita baixa, chega a cerca de 90% da gravidade da superfície). É justamente essa força gravitacional que puxa o satélite constantemente em direção ao centro da Terra, atuando como a força centrípeta necessária para curvar a sua trajetória e mantê-lo preso em órbita. Sem gravidade, o satélite escaparia em linha reta pelo espaço devido à inércia.


(c) CORRETA. "possui período constante"

  • Explicação: O período orbital (T) é o tempo que o satélite leva para dar uma volta completa ao redor da Terra. De acordo com a Terceira Lei de Kepler (Lei dos Períodos), o quadrado do período orbital é diretamente proporcional ao cubo do raio médio da órbita:
T² = k · a³
  • Como a órbita de um satélite de comunicação estabilizado possui dimensões fixas (um raio médio a constante), o seu período T também permanece rigorosamente constante ao longo do tempo. No caso de satélites geoestacionários (muito comuns em comunicações), esse período é fixado em exatamente 24 horas para acompanhar a rotação da Terra.


(d) Incorreta. "tem aceleração desprezível"

  • Explicação: Como o satélite faz um movimento curvo (circular ou elíptico), a direção do seu vetor velocidade está mudando a cada instante. Toda mudança na direção da velocidade exige a presença de uma aceleração, conhecida como aceleração centrípeta. Essa aceleração é gerada diretamente pela gravidade local e está longe de ser desprezível.


(e) Incorreta. "possui velocidade escalar (rapidez) constante em qualquer tipo de órbita"

  • Explicação: A velocidade escalar só é constante se a órbita for perfeitamente circular. Caso a órbita seja elíptica (o que é permitido pelas leis da física), a velocidade do satélite irá variar ao longo da trajetória de acordo com a Segunda Lei de Kepler (Lei das Áreas): ele se move mais rápido quando está no ponto mais próximo do planeta (perigeu) e mais devagar quando está no ponto mais distante (apogeu).


C) possui período constante

Questão 14

Exaustores eólicos são dispositivos instalados em telhados para auxiliar no resfriamento de ambientes internos. Veja montagem diagramática na figura ao lado. Eles giram devido à ação do vento e ajudam a retirar o ar quente do interior de galpões, depósitos e residências.

Considerando o resfriamento por exaustores eólicos, analise as sentenças:

I. O ar quente, que sobe por convecção, pode ser retirado pelo exaustor na parte superior da construção.

II. O principal funcionamento do exaustor está relacionado ao resfriamento por evaporação da água do ambiente.

III. A ventilação pode ser mais eficiente se houver aberturas na parte inferior da construção para permitir a entrada de ar.


São verdadeiras somente as sentenças:

(a) I (b) II (c) III (d) I e II (e) I e III

Termologia e Dinâmica dos Fluidos

Para determinar quais sentenças são verdadeiras, precisamos analisar as leis da termodinâmica aplicadas ao comportamento dos gases e a dinâmica de renovação do ar em ambientes fechados:



I) Verdadeira. "O ar quente, que sobe por convecção, pode ser retirado pelo exaustor na parte superior da construção."


  • Explicação: O ar quente sofre dilatação térmica, tornando-se menos denso do que o ar frio ao seu redor. Devido a essa diferença de densidade, o ar quente tende a subir naturalmente (convecção térmica), acumulando-se logo abaixo do teto. Como os exaustores eólicos são instalados exatamente no ponto mais alto do telhado, eles aproveitam esse fluxo natural para capturar e expelir o ar superaquecido para fora do ambiente.


II) Incorreta. "O principal funcionamento do exaustor está relacionado ao resfriamento por evaporação da água do ambiente."


  • Explicação: O exaustor eólico funciona puramente por princípios mecânicos e de diferença de pressão (como o Princípio de Bernoulli). O vento externo gira as pás do aparelho, o que reduz a pressão interna na boca do exaustor e força o ar de dentro a sair. Ele não realiza "resfriamento evaporativo" (que seria o caso de um climatizador que borrifa névoa de água ou de tecidos molhados); ele apenas troca a massa de ar quente por uma de ar mais frio.


III) Verdadeira. "A ventilação pode ser mais eficiente se houver aberturas na parte inferior da construção para permitir a entrada de ar."


  • Explicação: Para que o ar quente saia pelo topo, é indispensável que uma quantidade equivalente de ar entre no prédio para manter o equilíbrio de pressão (princípio da conservação de massa). Se o galpão for hermeticamente fechado embaixo, o exaustor encontrará resistência para puxar o ar para fora. Ter aberturas inferiores (como portas e janelas baixas) permite a entrada de ar externo mais frio e denso, que "empurra" o ar quente para cima, maximizando o fluxo de renovação (fenômeno conhecido como efeito chaminé).



Apenas as sentenças I e III descrevem corretamente a física do processo de resfriamento do ambiente. Portanto, eliminam-se as alternativas (a), (b), (c) e (d).

E) I e III

Questão 15

Em uma pista de patinação, um menino usando patins decide puxar um caixote que está apoiado sobre rodízios, conforme a figura, fora de escala, ao lado.

Considere que, inicialmente, o menino e o caixote estão em repouso em relação ao piso. A partir de certo instante, o menino puxa a corda com uma força de intensidade constante.



Sabendo que a massa do menino é o dobro da massa do caixote, e desprezando os atritos, assinale a alternativa correta.


(a) O menino permanece em repouso em relação ao piso e o caixote se move em direção ao menino.

(b) O caixote permanece em repouso e o menino se move em direção ao caixote.

(c) O menino e o caixote se movem com velocidade constante até se encontrarem.

(d) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem na metade do caminho entre eles.

(e) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem em um ponto mais próximo da posição inicial do menino.

Quantidade de Movimento

Denominando Mcaixote=MM_{caixote} = M, então pela relação dada no enunciado Mmenino=2MM_{menino} = 2M.

Assim, quando o menino puxa a corda, ele se submete a uma força TT, horizontal para a direita, enquanto o caixote é submetido à mesma força TT, porém horizontal para a esquerda.


Como não agem sobre o sistema quaisquer forças externas, vale a Conservação da Quantidade de Movimento. Logo

Qcaixote+Qmenino=0{\vec{Q}}_{caixote} + {\vec{Q}}_{menino} = 0

Mvcaixote+2Mvmenino=0M {\vec{v}}_{caixote} + 2M {\vec{v}}_{menino} = 0

vmenino=12vcaixote{\vec{v}}_{menino} = - \frac{1}{2} {\vec{v}}_{caixote}


Dessa equação, retiram-se as seguintes conclusões:

I) Não é possível que um dos dois corpos se movimente sem que o outro saia do estado de repouso. Eliminando as alternativas (a) e (b)

II) O menino e o caixote se encontram em uma posição mais próxima da posição inicial do menino, visto que este tem velocidade menor. Eliminando a alternativa (d)


Quanto à alternativa (c), não é possível que os corpos tenham velocidade constante visto que tanto o menino quanto o caixote estão sob efeito exclusivo da força de tração.


Logo, alternativa (e)

(E) O menino e o caixote se movem com aceleração constante até se encontrarem em um ponto mais próximo da posição inicial do menino.


Questão 16

Um recipiente fechado e transparente, preenchido com água até a metade, está fixado em um carrinho que pode deslizar sobre um plano horizontal.

Inicialmente, com o carrinho em repouso, o nível da água no recipiente é horizontal.

O carrinho passa então a acelerar para frente. Durante o movimento, a água tem tempo de se acomodar em seu interior.


Assinale a figura que melhor representa o nível da água no recipiente enquanto o carrinho acelera para frente.

Mecânica

Para determinar o perfil da superfície da água enquanto o carrinho acelera para frente (para a direita), podemos analisar a situação de duas formas físicas equivalentes: por Inércia ou por Gravidade Efetiva.


Análise por Inércia (Referencial do Carrinho)

Quando adotamos o próprio carrinho como nosso referencial de análise, estamos situados em um referencial não-inercial (acelerado). Por causa disso, todos os corpos no interior do carrinho experimentam uma força de inércia fictícia que aponta sempre no sentido oposto ao da aceleração do sistema. Como o carrinho acelera para a frente (direita), essa força de inércia empurra a massa de água para trás (esquerda). Consequentemente, as moléculas de água se acumulam na parede traseira do recipiente, fazendo com que o nível do líquido suba do lado esquerdo e desça do lado direito.


Análise pela Gravidade Efetiva

Outra forma de visualizar o fenômeno é somando vetorialmente a aceleração da gravidade real (g, voltada para baixo) com a aceleração de inércia (a, voltada para trás). O resultado dessa soma é um vetor chamado de gravidade efetiva. Como a superfície livre de qualquer líquido em equilíbrio organiza-se de forma a ficar sempre perpendicular (em ângulo de 90°) a esse vetor de gravidade total, a superfície da água é forçada a se inclinar, ficando mais alta na esquerda (atrás) e mais baixa na direita (frente).


Análise das Alternativas:


  • (a) Incorreta. Mostra a água totalmente verticalizada na metade esquerda do recipiente. Isso só aconteceria em uma situação limite se a aceleração horizontal do carrinho fosse infinitamente superior à aceleração da gravidade, o que não corresponde à realidade física do problema.
  • (b) CORRETA. Mostra perfeitamente a superfície do líquido inclinada, com a água acumulada na parte traseira (esquerda) devido à aceleração do carrinho para a frente (direita).
  • (c) Incorreta. Mostra o nível da água perfeitamente horizontal. Essa configuração está em equilíbrio estático padrão e só ocorre se o carrinho estiver em repouso absoluto ou se movendo em linha reta com velocidade constante (situações onde a aceleração é igual a zero).
  • (d) Incorreta. Mostra a água acumulada na parte da frente (direita). Essa inclinação inversa só aconteceria se o carrinho estivesse se movendo para a frente e freando bruscamente (desacelerando), ou se estivesse acelerando em marcha ré para a esquerda.
  • (e) Incorreta. Mostra a água acumulada na metade direita com uma parede perfeitamente vertical, o que contraria as leis da hidrostática e da inércia para esse tipo de movimento horizontal.

B)

Questão 17

Em um laboratório didático, uma estudante de física obtém o gráfico abaixo para a velocidade de um pequeno disco que se move ao longo de um trilho retilíneo.

Determine a razão Δx/d\Delta x/d entre o deslocamento Δx\Delta x e a distância total percorrida dd pelo disco entre os instantes t=0t=0 e t=20st=20s.

(a) −1/2 (b) −1/9 (c) 1 (d) 1/9 (e) 1/2

Cinemática

Em um gráfico de velocidade por tempo (v × t), a propriedade fundamental que nos permite resolver a questão é a relação da área: a área entre a linha do gráfico e o eixo do tempo é numericamente igual ao espaço percorrido.

Para encontrar a diferença entre o deslocamento (Δx) e a distância total (d), usamos os seguintes conceitos:



  • Deslocamento (Δx): É a variação de posição. Consideramos o sentido do movimento, ou seja, somamos as áreas acima do eixo (movimento progressivo, áreas positivas) e subtraímos as áreas abaixo do eixo (movimento retrógrado, áreas negativas).
  • Distância total (d): É o quanto o objeto efetivamente andou, independentemente de ir ou voltar. Calculamos somando o módulo (valor absoluto e positivo) de todas as áreas.


Leitura e Escala do Gráfico

Primeiro, precisamos entender a escala das malhas (quadradinhos) do gráfico:


  • Eixo vertical (v): A distância de 0 até 16,0 contém 4 quadradinhos. Logo, cada quadradinho de altura vale 4,0 cm/s (16,0 / 4).
  • Eixo horizontal (t): A distância de 0 até 20 contém 4 quadradinhos. Logo, cada quadradinho de largura vale 5 s (20 / 4).


Cálculo dos Trechos (Áreas)

O movimento está dividido em 3 etapas retilíneas (retângulos):


  • Trecho 1 (de 0 a 5 s): O disco se move com velocidade constante de 16,0 cm/s.

A área 1 é um retângulo de base 5 e altura 16.

A1 = 5 × 16,0 = 80 cm

  • Trecho 2 (de 5 a 10 s): A velocidade cai para 4,0 cm/s (altura de 1 quadradinho) e dura 5 segundos (largura de 1 quadradinho).

A área 2 é um retângulo de base 5 e altura 4.

A2 = 5 × 4,0 = 20 cm

  • Trecho 3 (de 10 a 20 s): A velocidade torna-se negativa, caindo para -8,0 cm/s (altura de 2 quadradinhos para baixo) e dura 10 segundos (largura de 2 quadradinhos).

A área 3 é um retângulo de base 10 e altura -8.

A3 = 10 × (-8,0) = -80 cm


Cálculo do Deslocamento (Δx)

Soma algébrica de todas as áreas (com os sinais):

Δx = 80 + 20 - 80

Δx = 20 cm

(O disco terminou 20 cm à frente da sua posição inicial).



Cálculo da Distância (d)

Soma dos módulos das áreas (tudo positivo):

d = |80| + |20| + |-80|

d = 80 + 20 + 80

d = 180 cm

(O disco caminhou um total de 180 cm).


Razão Pedida

A questão pede a razão Δx / d:

Razão = 20 / 180

Simplificando a fração (dividindo em cima e embaixo por 20):

Razão = 1/9

D) 1/9

Questão 18

Um estudante chuta uma bola que estava inicialmente em repouso em um campo de futebol, lançando-a em uma direção que forma um ângulo de cerca de 40° com a horizontal.


Desprezando a resistência do ar, assinale o gráfico que melhor representa a intensidade da velocidade da bola em função do tempo desde o instante imediatamente após o chute até o momento em que ela atinge novamente o solo.


Nos gráficos, vev\tiny e e tet\tiny e são valores usados apenas para fixar as escalas de velocidade e tempo.

Cinemática

Desconsiderando o atrito com o ar, a bola não fica sujeita a qualquer força horizontal do momento imediatamente após o chute até retornar o solo. Assim, a componente horizontal da velocidade da bola é constante e igual a vx=vcos40v_x = v cos40°. Já a componente vertical, inicia o trajeto como vy=vsen40v_y = vsen40°, reduz-se linearmente com o tempo até o ponto de altura máxima em tet_e quando vy=0v_y = 0 e volta a crescer até a sua intensidade original, porém agora orientada para baixo, até o retorno ao solo.


Assim, percebe-se que a velocidade da bolo nunca é nula, e é mínima na metade do tempo, como é representado somente pelo gráfico (a).


Resolução alternativa: além disso, é útil pensar que como nenhuma força horizontal atua sobre a bola, se sua velocidade fosse nula em algum momento, ela permaneceria nula na direção horizontal para o resto do percurso, fazendo uma trajetória que sobe até a altura máxima em parábola, e depois retorna até o solo em linha reta, o que é impossível.

A)

Questão 19

Um sistema de polias, composto por uma polia fixa e uma polia móvel, está preso ao teto por duas hastes metálicas A e B. Uma pessoa puxa para baixo a extremidade livre da corda com uma força de intensidade T, levantando uma carga de peso P com velocidade constante.

Se a carga sobe uma altura H, determine a força T e o comprimento L de corda que deve ser puxado para baixo.

(a) T = P/2 e L = H/2

(b) T = P/2 e L = H

(c) T = P/2 e L = 2H

(d) T = P e L = H

(e) T = P e L = 2H

Mecânica (Estática, Polias e Conservação de Trabalho/Energia)

Para resolvermos esse problema de polias, precisamos analisar a situação em duas etapas: a força necessária para erguer o bloco e a quantidade de corda que precisa ser deslocada.


Análise da Força (T)

O sistema possui uma polia móvel (a de baixo) e uma fixa (a de cima). A principal característica da polia móvel é dividir a força necessária para sustentar ou erguer um peso.

Como o enunciado afirma que a carga sobe com velocidade constante, ela está em equilíbrio dinâmico (a força resultante é zero).

Observando a polia móvel, vemos que o peso P puxa o eixo da polia para baixo. Em contrapartida, a corda que passa por ela a puxa para cima por dois segmentos (o lado esquerdo que vai para a polia fixa e o lado direito que vai para a haste B).

Assim, a força total para cima (2 vezes a tração T) deve igualar a força para baixo (P):

2T = P

T = P/2


Análise do Comprimento da Corda (L)

Podemos entender a distância de duas maneiras (ambas levam ao mesmo resultado):

  • Pela Geometria do Movimento: Se a polia móvel e a carga sobem uma altura H, os dois segmentos de corda que a sustentam precisam ser encurtados, cada um, em uma medida H. Logo, a quantidade total de corda que a pessoa precisa puxar é a soma dessas duas partes, ou seja, L = 2H.
  • Pela Conservação da Energia (Trabalho): Na física, as máquinas simples não diminuem o trabalho total realizado, elas apenas facilitam a aplicação da força. O trabalho realizado pela pessoa ao puxar a corda deve ser igual ao trabalho realizado para levantar o peso.

Trabalho da Força = Trabalho do Peso

T × L = P × H

Substituindo o valor de T (P/2) que encontramos:

(P/2) × L = P × H

Cancelando o P dos dois lados e passando o 2 multiplicando:

L = 2H


Concluímos que a força aplicada é a metade do peso, mas, em compensação, o operador precisa puxar o dobro de corda em relação à altura que deseja elevar a carga.

C) T = P/2 e L = 2H

Questão 20

Um caixote apoiado sobre um plano inclinado é mantido em repouso graças a uma corda presa à parede, conforme representado na figura ao lado. Sejam PPNN e TT, respectivamente, as intensidades das forças aplicadas ao caixote pelo campo gravitacional, pelo plano inclinado e pela corda.

Assinale a alternativa correta.

(a) P=NP=N

(b) P=TP=T

(c) P=N+TP=N+T

(d) P=NTP=N-T

(e) P2=N2+T2P²=N²+T²

Mecânica

Fazendo a decomposição de vetores sobre o caixote, nota-se que, para um plano inclinado de ângulo θ\theta em relação a horizontal:

Pcosθ=NPcos\theta=N

Psenθ=TPsen\theta=T

Assim, elevando-se ambas as equações ao quadrado e somando-as:


P2(cos2θ+sen2θ)=N2+T2P²(cos²\theta +sen²\theta)=N²+T²

Como cos2θ+sen2θ=1cos²\theta+sen²\theta=1, então P2=N2+T2P²=N²+T², resultando na alternativa E.

(E) P2=N2+T2P²=N²+T²